Pouco menos de um mês atrás, um craque com toda responsabilidade voltou aos gramados após uma contusão séria no joelho que o afastou do time por um ano. Seu nome é Bernardo Valle e o vazio que ele deixou era bastardo.
Era o vazio da ausência, ou melhor, da falta de presença. Era o reconhecimento da essência de um armador. Era a saudade de ter um jogador diferenciado que tabelava, armava, chutava e liderava o time ao mesmo tempo.
Enquanto cada dia duro de sua recuperação se passava, a presidência e os diretores do I.F.C. levavam nas costas um peso colossal: a necessidade da presença de um camisa 10 no elenco, que estaria disposto a sangrar na batalha do campo e percorrer as quatro linhas com uma fome de bola e vitória sobre o grito louco do torcedor.
Era a figura que um time sempre deveria ter. A sustentação da responsabilidade. A afirmação de um líder capaz de decidir o jogo em uma bola.
Apesar de jogadores consideravelmente habilidosos em seu incrementado elenco, o Improváveis sentiu bastante a falta de Bernardo Valle, que sentia também a falta de jogar em seu time de coração, levando no peito o escudo do leão rugindo no lado esquerdo de seu peito, onde mora o I.F.C.
Sua segunda pele que o transformava a cada passo em campo.
Então, correndo atrás de um substituto a altura, o processo foi incansável. Os dirigentes encontraram grandes nomes como Riquelme, Beckham e um último como Alex, atualmente no Coritiba.
Infelizmente, a maioria dos nomes e rumores não prosseguiu. Entre esses três, mais cotados, o primeiro acabou não fechando por motivos de salário e preferência pessoal, o segundo foi rapidamente esquecido pela idade avançada e o terceiro acabou dizendo que Friburgo é uma merda, só o I.F.C. salva.
Quanto mais o desespero batia, quando mais era necessário a presença de um jogador diferenciado como Bernardo, quanto mais o time pendia e carregava o suor em seus jogos, mais era fácil notar que não havia ninguém que cobriria o espaço deixado pelo jogador com tamanha destreza, calma, seriedade e entrosamento, dado o tempo que o armador atua no time.
E então, das cinzas moribundas do fracasso, das lamentações cegas dos torcedores, do nervoso frenético dos dirigentes por alguém no mercado que encaixasse ali como uma peça central, surgiu a volta do camisa 10. E o alivio o acompanhou quando deu seu primeiro passo em campo depois de tanto, tanto esperar para fazer o que mais gosta. O que nós mais gostamos. O que o I.F.C. gosta. E faz. E encanta.
Jogar futebol.
Saudações Laranjas, Duty Laundos